perspectiva?
Já faz algum tempo que eu venho fotografando a feira-livre da minha cidade, seus personagens e seus espaços. Dia desses, ao percorrer o interior do Centro de abastecimento, vi este garoto, sentado próximo a uma peneira com grãos de feijão, mão no queixo, olhar desolador. A imagem se ofereceu a mim, então, sem pensar muito, me aproximei mais um pouco e cliquei três vezes, sem ser percebido. Depois, em casa, ao olhar esta imagem, fiquei imaginando o que significaria aquela expressão do garoto: cansaço? tristeza? desânimo? tédio? Quais serão suas perspectivas?
vende-se tranquilidade
Numa das aulas práticas de um curso básico de fotografia, que ofereci para a comunidade carente do bairro no qual fica localizado o colégio onde trabalho, deparamo-nos com a cena abaixo.
Curioso como as cidades abrigam tantos paradoxos. Alheios à agitação frenética dos grandes centros, existem espaços em que se pode desfrutar de uma certa tranquilidade. Contudo, a casa está à venda. Para onde será que pretendem se mudar?
Esta imagem foi capturada na periferia de Jacobina, cidade do interior da Bahia, em setembro de 2008.
breve prólogo
Uma figura que caminha solitariamente pelas ruas, observando cada detalhe, que normalmente escapa aos olhos dos transeuntes desatentos, sem, contudo, ser notado, nem interferir na paisagem, esse é o flâneur, ser errante que busca uma nova percepção da cidade, seus personagens e suas histórias.
Pretendemos tornar este blog um espaço para reflexões acerca dos espaços e vivências cotidianas de uma cidade do sertão da Bahia.


